Nesta semana um aluno me mostrou diversos desenhos feitos em casa e um me chamou a atenção. Sua forma de traçar o perfil de um rosto me fez lembrar Picasso em Guernica:
Ilustração de Yuri Wendell de Lima Rodrigues, estudante do 3º ano do Ensino Fundamental I
EM Sagrado Coração de Jesus, Diadema, SP.
No dia seguinte levei o livro "Picasso", de Ingo. F. Walther, para que os alunos conhecessem algumas de suas obras e a sua trajetória em busca de um estilo. Fiz uma leitura prévia de alguns tópicos na preparação da aula, e eis que me deparo com um poema do próprio artista a respeito dos horrores da guerra. Ele cala todas as tentativas de análises de Guernica:
"Guernica", 1937
Óleo sobre tela, 349,3 x 776,6 cm
Madrid, Museo Reina Sofia
"Gritos das crianças, gritos das mulheres, gritos dos pássaros, gritos das flores, gritos das árvores e das pedras, gritos dos tijolos, dos móveis, das camas, das cadeiras, dos cortinados, das panelas, dos gatos e do papel, gritos dos cheiros, que se propagam uns após outros, gritos do fumo, que pica nos ombros, gritos, dos que cozem na grande caldeira, e da chuva de pássaros que inundam o mar."
Muito se fala de Guernica, mas pouco divulgado é "O ossuário", que de acordo com Walther, "foi criado sob o efeito das notícias sobre os campos de concentração libertados", e com ele Picasso "fecha o parênteses que tinha aberto com 'Guernica'":
"O ossuário", 1944/45
Óleo e carvão sobre tela, 119,8 x 250,1 cm
New York, Museum of Modern Art
Um olhar atento ao que já nos parece comum na sala de aula proporcionou agradáveis momentos de fruição e reflexão que compartilho com muito prazer. Obrigada, Yuri.
"O que pensa que é um artista? Um idiota, que só tem olhos quando pintor, só ouvidos quando músico, ou apenas uma lira para todos os estados de alma, quando poeta, ou só músculos quando lavrador? Pelo contrário! Ele é simultaneamente um ente político que vive constantemente com a consciência dos acontecimentos mundiais destruidores, ardentes ou alegres e que se forma completamente segundo a imagem destes. Como seria possível não ter interesse pelos outros homens e afastar-se numa indiferença de marfim de uma vida que se nos apresenta tão rica? Não, a pintura não foi inventada para decorar casas. Ela é uma arma de ataque e defesa contra o inimigo."Pablo Picasso



Interessante como um quadro passa a ter significados apos uma leitura e reflexao sobre o mesmo.
ResponderExcluirO Sr. Antonio deveria ler isso... rs